quinta-feira, 25 de junho de 2009

sábado, 6 de junho de 2009

25000

Meus irmãos temos de comemorar as 25000 visitas. Onde é o jantar? Alguém tem sugestões? Cantinho?
Menos um a combinar

sexta-feira, 10 de abril de 2009

Saudade

Acordo no meu quarto. Como sempre, o Luis Maria já não se encontra na cama. Provavelmente já está no ginásio. Levanto-me e nem preciso de me vestir visto que ontem adromeci de fato de banho na sala e apenas vi a minha cama lá para ás 8 ou 9 da manhã. Lembro-me do Ribas me acordar, ele a sair para as aulas e eu a dormir que nem um parvo na sala depois de mais uma noite de copos no Veloso. É Quinta-feira, não se passava grande coisa ontem.

Levanto-me então e pergunto-me a mim mesmo que horas serão. Deve ser o costume, 2 ou 3 da tarde. Passo pelo quarto do Ribas e do Mashi e vejo pela porta entreaberta o Ribas a dormir. Já deve ter ido às aulas e já voltou. Passo depois pela lavandaria onde um monte de roupa continua há semanas em fila de espera para ir para a máquina. "Merda, não tenho roupa lavada." Encontro no estendal uma t shirt e nem hesito em usá-la. Não sei de quem é que será, mas fica-me bem.

Chego à sala e está o Mashi esparralhado a ver Facebooks no meu computador.

"Bom dia..." Largo seco... "Como é que é... está enovoado para variar não é?"

"ya..." responde-me o mashi com o seu normal ar descontraido.

Continuo a minha manhã, sim 2 ou 3 da tarde é como se fosse de manhã ou não fosse o meu meio dia às 5 da tard, e vou à cozinha em busca de água. Não há água, o costume. Em vez de água encontro apenas uma pequena barata morta, dezenas de peças de louça para lavar, uma travessa de beringelas por deitar fora e lavar há 15 dias, e isto tudo ao ritmo da água que pinga da torneira interminavelmente. Volto à sala e mando para o ar, como se alguem me fosse ouvir: "menos um a ir comprar água ao Tio Sam"

A resposta que tenho é um riso do Mashi. Estou cheio de fome e não há nada para comer, tenho mesmo que esperar que o Pedro acorde para ligarmos para o Big Polis.

"Tens coragem de vir ao castigo miudo?" Pergunto eu ao Mashi.
"Se nunca borrei, porque é que haveria de borrar hoje?" Responde-me ele.

Perdi uma vez mais. Desta vez foram 3-1, dois golos do Ibrahimovic e um do Quaresma que continuo a insistir que está melhorado. O meu golo tinha que ter sido apontado pelo Messi.

Junto a nós abre-se a porta do quarto do Pierre.
Cá está ele. "Brromm dia..." diz o Pedro
"Como é que é general... olha lá, tamos mesmo a morrer, não queres ligar para o Big Polis?"
"Na boa"
"Pá para mim pede-me uma salada de galinha e um melancia pai... Espera, se calhar um cheesebacon"
Entra em cena o 6º ou 7º elemento da nossa casa. Não tem presença fisica, apenas faz ruido: "Big polis boa tarde, quê mais?"
"Pierre aguenta ai um bocado que eu tambem quero!!" grita o Ribas desde o seu quarto

O Mashi é o unico que não quer nada visto que já está a comer o seu prato preferido, massa "ali ogli". Para quem se pergunta o que será isto, eu respondo. Trata-se apenas de massa cozida.

Chega o Luis Maria do ginásio. "Aich, tão a pedir big polis? Pede-me aí um Açai!" E segue directo para o quarto para tomar banho.

A minha cabeça pesa, pesa muito. Enquanto esperamos pelo Big Polis, ensino o Ribas a jogar pro. Abbondanzieri para Zanetti, Zanetti - Messi, Messi golo. Simples e eficaz Ribas. Mas é no momento em que a minha arrogância está no topo, no momento em que me auto proclamo o "Tiburón do Pro" (Titúlo máximo lá em casa), que vejo o Alexandre Pato largar um remate a mais de 40 metros sem que eu possa fazer alguma coisa para evitar mais um golão do Ribas. O festejo, esse? O mesmo de sempre. Ribas levanta-se entra para o quarto do Pedro, sai pela outra porta e reaparece na sala "KABOUUUUUMMMM".

Epá que seca de tempo. Tocam à porta.

"menos um, menos dois, menos três!"
"Epá vá lá alguem" diz-nos o Pierre, perfeitamente consciente da dificuldade do pedido
"Não me importo dir mas então nao vou lá buscar as coisas" digo eu
É na boa. Atendo o telefone e ouço a voz de sempre do Humberto, nosso porteiro.
"Bigui Pólizz" Manda subir!
Para variar a confusão para pagar começa. "ninguem tem 10 reais que me empreste que eu já pago?" Lá pagamos nós o dinheiro ao individuo de raça negra que veio pela centésima vez a nossa casa.

Comemos os nossos pedidos sempre com as mesmas frases. "Pá isto é tão bom..." Entretanto o suco de melancia que eu tinha pedido foi-se em menos de nada, tal era a secura na minha boca.
"Ribas bora fazer uns remates para a praia?" Sugiro
"Bora" responde-me
"Já lá vou ter" diz o Pierre

Para a sugestão ser concretizada, ainda falta um passo gigante: Sair de casa. Este passo costuma demorar mais de meia hora visto que há sempre alguma novidade para ver na internet. Enquanto o Ribas espera por mim, aparece mais gente em casa. São os homens das obras que estão a descer de elevador pela varanda. Antes de sair de casa ainda lhes ofereco um copo de água visto estarem com um ar agastado de umas obras que em 3 meses não teve avanços.

Pegamos nas bicicletas e vamos directos para o Posto 11 da praia, onde está um dos vários campos de futebol. Lá está a barraquinha de sempre do João. Ah, e tambem estão uma dezena de favelados a jogarem futebol com uns patricios. Convidam-nos para entrar na peladinha. Será possivel recusar? Claro que não mas passados 5 minutos já estou de rastos. Entretanto aparece o Pierre que tambem se juntou a peladinha e mais tarde o Mashi e o Des. Depois de mais uma suada vitória sobre os brazucas, tempo para um mergulho. Começamos a jogar um altinho, ao qual se juntam o Vilela e o Martins. Lá do fundo, vem alguem a correr na nossa direcção. É o Paddy, tambem quer jogar!

A tarde é bem passada apesar do tempo mediano. Chego a casa e passo os meus pés por água como sempre faço. No entanto, e apesar de todos passarmos os pés por água, a casa parece uma praia. Mais uma ronda de pros enquanto discutimos a hora à qual devemos ir ao Sendas comprar cervejas e vodkas, é que hoje é noite de Namastê, uma discoteca no jockey com som electro. Entretanto são 6h30 e tinha uma aula às 5h. Na boa, saio agora, tou lá às 6h40 e ainda apanho a chamada. Saio de fato de banho, chanatos e t-shirt para a faculdade.

A esta aula, junta-se outra das 7h às 11h. Venho para casa depois da minha aula das 5h, ou seja, tive 10 minutos na faculdade. Volto a casa e está tudo deitado. As colunas do ipod continuam a cantar incansavelmente, normalmente com o DJ Mashi a dar lhes ordens. Já há jolas! Bacano. Estão a tocar a porta outra vezo. "Bigui Polizzzzz"

"A que horas combinamos com o Vilela e com o Martins?" Pergunta o Des.
"Pá os gajos vêm cá ter depois de jantar" Responde o Ribas

Começamos a beber e a aquecer para a noite. Bate as 21h30 no relógio do telemovel. "Mashi temos que ir a aula buscar a chamada" digo eu.
"Tranquilo" diz o mashi com um ar meio chateado de ter que ir.
"Epá queres mesmo ir?" pergunto
"Pá... acho que ainda posso dar duas faltas"
"Ya tambem eu, vamos pa semana lá"
E mantemo-nos por casa a beber.
Chega o Martins e o Vilela. "Porra, os gajos vão-nos matar" diz o Pierre com um ar de gozo. Esta afirmação vem depois de olhar para a sala e ver 5 gajos que ainda não tomaram banho e que parece que nem vão sair à noite.

O Vilela entra, fecha a porta, olha para a cozinha para ir buscar uma cerveja e antes que ganhe coragem larga um "aich..."
"Epá vão lá tomar banho! Voces sao sempre a mesma coisa!"
"Calma John... já vamos!"

Acabou-se os computadores. Cartas em cima da mesa. Quem tirar o Ás vira uma jola, quem tirar o Rei vira o Sapunaru. Entretanto, vamos tomando banho a conta gotas. Chega a minha vez e depois de tomar banho vou à lavandaria. Meias de alguem, t-shirt doutro, estou pronto para ir para a noite. O nosso monte de roupa suja começa a ser um desafio para o próprio João Garcia.

Saimos directos para o Namastê onde encontramos a Adriana e as amigas e ainda o Dedeco.

No dia seguinte acordo e o Luis Maria já não se encontra na cama. Provavelmente já está no ginásio. Levanto-me e nem preciso de me vestir visto que ontem adromeci de fato de banho na sala e apenas vi a minha cama lá para ás 8 ou 9 da manha... Ca granda noite ontem, hoje vai voltar a repetir-se mas primeiro vamos à praia, até porque está alto dia.

Bons tempos. Já eram. Que saudades.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Rio Para Sempre

Decidi não contar nada sobre Floripa. Se quiserem saber como é, recomendo vivamente que vão lá.

Os ultimos dias no Rio de Janeiro foram espectaculares. É dificil pensar todos os dias que me vou embora daqui a 5.. 4... 3... 2... até apanhar o taxi para o aeroporto. Nos ultimos dias tanto andei por jantares de luxo como andei a jantar na Rocinha com o Michael e com o Guilherme, amigo que nos deu tecto para os ultimos dias. Isto é o Rio. Tem-se do melhor e do pior. Da maior riqueza á maior pobreza. Os ultimos dias tambem foram banhados por 36 graus e sol todos os dias com centenas de milhares de pessoas na praia, incluindo eu.

Sinceramente, já nem me apetece escrever mais nada aqui. Só quero dizer que adorei aquela que é a melhor cidade do mundo. Repito, o Rio de Janeiro é a melhor cidade do mundo. Aos que vão para intercambio agora, não se enganem, vão para uma cidade com praia, onde todos os dias se passa alguma coisa, onde todos os dias está calor, onde todos os dias os brasileiros nos recebem como se nos conhecessemos há 10 anos... Enfim... Viva o Rio!

Depois de tudo isto é inevitavel agradecer a quem me deu tudo para que eu pudesse viver estes 6 meses como vivi, o meu Pai. Sem ele, não teria vivido aquela cidade durante 4 meses e meio e todo aquele continente durante 2 meses. A ele, o meu Pai, o meu muito muito obrigado!

Aos meus companheiros de casa, aqueles que todos os dias se batiam comigo na luta por quem fazia menos... Voltava a repetir tudo isto e teria de ser com voces!!

73 posts depois do primeiro que eu escrevi, quando ainda estava em Lisboa de partida para o Rio, termino aqui o Blog. Vou deixá-lo em aberto por muito mais tempo na internet, de modo a que sempre que quiser recordar episodios, venho aqui ver o que escrevi. Recordar é viver!!

Só quero voltar para lá outra vez...

RIO ATÉ JANEIRO...

RIO PARA SEMPRE

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Bem-vindo ao Brasil

Estou no melhor sitio que alguma vez poderia imaginar para acabar uma viagem: Floripa.

Sai de Buenos Aires, com o Vasco Martins e o Ribas, na segunda-feira à tarde para 28 horas de autocarro até Florianópolis. Senti a chegada ao Brasil ainda no autocarro em Buenos Aires. A companhia que nos trouxe até Floripa é uma companhia brasileira e portanto os motoristas são todos brasileiros. Óbvio.

Arrumei as minhas coisas, sentei-me no meu lugar, puxei a cadeira para trás, e comecei a ouvir as explicações de um homem baixo, gordo e sobretudo bem disposto. Foi ai que senti mesmo que estava a voltar para o Brasil. Há uma enorme diferença do resto da América Latina para o Brasil. Os brasileiros são um povo bem disposto por natureza, um povo prestável e sobretudo muitissimo informal. As instruções que deviam ter sido dadas como uma formalidade, foram dadas com piadas pelo meio, enquanto alguns passageiros eram gozados pelo tal motorista. Foi o inicio do regresso ao Brasil.

Mas ainda houve mais. Ás duas da manhã parámos na fronteira entre a Argentina e o Brasil. Quando me dirigo à casa de banho está um policia a falar com uma pessoa... aflita e com falta de papel higenico.

- Cara não arranja ai papel por favor, é uma emergencia!! - diz um brasileiro
- Pô cara deu dor de barriga agora e não tem papel higenico?! - pergunta o policia enquanto se ri
- É mesmo!! Como é que eu faço?! Não arranja ai nada?
- Sem problema, pega ai estes papeis. Precisa de mais?

Os papeis eram, nada mais nada menos, que os papeis da imigração, aqueles papeis que temos que preencher quando vamos para um país novo. Só no Brasil.

Acabámos por chegar a Floripa as dez da noite e fomos directos para a terra mais próxima da praia de Jurere Internacional, Canasvieiras. Infelizmente, Canasvieiras estava cheio e mesmo depois de vermos cerca de vinte hostels, não conseguimos nada. Acabámos por apanhar um taxi para a Lagoa. O taxista falava igual ao Scolari e não acreditava que transportava duas pessoas chamadas Vasco. Foi o maior porreiro de sempre. Prometeu-nos que arranjava hostel, e arranjou. Alem do mais, desligou o taximetro quando chegamos a Barra da Lagoa.

Floripa é INACREDITAVEL. Mais tarde conto mais... Adoro o Brasil!

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Bons Ares

A viagem acabou. Acabou mesmo. A chegada a Buenos Aires fez com que eu me sentisse cada vez mais perto de casa, cada vez mais perto do Rio de Janeiro.

Está um calor de morte em Buenos Aires. As ruas estão vazias; ou cheias de brasileiros a passearem com dez sacos em cada mão. Dentro das poucas pessoas que sempre dão algum movimento à capital argentina, estão centenas de participantes do Dakar. Entre eles, o nosso Helder Rodrigues com o qual estivemos e que estava visivelmente satisfeito com o seu quinto lugar. O Dakar foi bastante sentido cá mas fiquei com a ideia de que as pessoas não sabiam que o rally chama-se Dakar porque este é o nome da capital do Senegal...

A nossa epopeia até Buenos Aires começou em Bariloche. O objectivo foi cumprido. Saimos de Bariloche, fomos até Ushuaia, passamos por Torres del Paine e depois de ver o Perito Moreno em El Calafate começámos mais de trinta horas rumo a Buenos Aires. Foi dificil e cansativo fazer mais de seis mil km em uma semana, mas valeu a pena.

Torres del Paine estava feio, nublado e sobretudo com uma ventania muito desgradavel. Por todo este conjunto de factores, nao gostei de Torres del Paine. Passámos por lá num tiro e seguimos rumo a El Calafate. O problema foi que não se conseguia andar pelo Parque de Torres del Paine devido ao vento. Cada passo que dava em frente, tinha que fazer o dobro do esforço normal, e ainda era empurrado para o lado. Talvez o mais engraçado de Torres del Paine tenha sido a noite em Puerto Natales. Foi o pior Hostel em que tivemos a viagem toda mas adorámos. O Hostel tinha um dormitorio para 12 pessoas, conosco dormia um casal de suiços que ficava 25 minutos a lavar os dentes, e era gerido por dois homens que estavam constantemente a gozar conosco. Primeiro conselho que nos deram os donos: durmam em sacos de cama. Acabámos por fazer mais uma parrillada no hostel e na manhã seguinte fomos brindados com um magnifico pequeno almoço, depois de ter recebido uma t shirt que tinha posto para lavar que foi branca e voltou azul.

"Siga para El Calafate, Torres del Paine está visto"

O Perito Moreno é impressionante. Um enorme bloco de gelo que caminha para cima de um lago e que varia as suas cores entre o branco e o azul. É impressionante. O glaciar está estável, mas como bate na terra, estão sempre a cair uns blocos de gelo. O barulho da queda é ensurcedor mas espectacular. Entrou directamente para os highlights da viagem. Restavam-nos apenas 30 e poucas horas de carro até Buenos Aires.

A capital argentina continua igual a si mesma. Uma cidade europeia, com gente civilizada, e sobretudo com muita classe. Pena estar vazia e quase todas as discotecas tarem fechadas. Esta vinda serviu me para descansar e aproveitar para ver a cidade com um bocado menos de movimento. Adoro Buenos Aires.

Agora estou a escrever isto enquanto assisto a uma mesa de póquer na televisão. Não via isto há anos, nem jogo com amigos praticamente desde que sai de Portugal (tirando umas brincadeiras no Rio de Janeiro!!). Tudo isto faz-me sentir cada vez mais perto de casa. Decidimos cortar em Punta del Este. Punta é muito caro, a começar pelo barco e autocarro que nos levam até lá. Mas a razão principal de cortar Punta não foi essa. Estamos perto de Florianopolis e é para lá que queremos ir. Amanhã espero chegar ao Terminal e conseguir encontrar um autocarro que me leve até lá para passar uma semana no paraiso brasileiro. É o regresso a casa, o regresso ao Brasil.

Não me apetece voltar, mas, confesso que já tenho muitas saudades de ouvir aquele sotaque cantado, ir para a praia todos os dias, beber "cervejas geládas", enfim... estar na boa!

Isto está a acabar... E ainda ontem estava no aeroporto a ouvir a chamada para o Rio de Janeiro.

domingo, 11 de janeiro de 2009

Fim do mundo

Quando disse ao meu pai que ia até ao fim do mundo ele disse-me: "vocês já estiveram tantas vezes no fim do mundo, que já nao vejo interesse em irem mais uma vez..."

Desta vez cheguei mesmo á ponta do mundo. Ushuaia, Tierra del Fuego, Argentina. Depois disto, só mesmo a Antarctica. Em todas as ruas, esquinas, barcos, lojas, etc, está escrito "fin del mundo". Até carimbaram o meu passaporte com 4 carimbos, a fazerem lembrar os carimbos da expo 98, para ficar com o registo que estive no fim do mundo!

Aqui, nunca fica noite. Temos sol no alto até as 11h, 11h30 e depois fica uma especie de fim de tarde até ao sol voltar a aparecer em forca as 4 da manha.

Estou a 1000km do centro do polo sul, a 15 mil de Madrid, a 17 mil do Alaska, e a 3078 de Buenos Aires. O nosso Opel Zafira tem-se aguentado. E nós tambem. Vamos comecar a subir em breve para Torres del Paine e para El Calafate. Acabámos por mudar os planos de ir de aviao devido ao preco!

Depois de termos passado pelo estreito de Fernao Magalhaes, ilustre que empresta o nome a uma da principais avenidas de ushuaia, vamos agora andar de barco para outro estreito, o Beagle. Vai ser a vez que vou estar mais a sul em toda a minha vida, isto se nunca chegar a ir a Antarctica.

Sinto-me no fim do mundo. Se calhar, é porque desta vez, estou mesmo.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

A 20 dias do fim

Aproveitando o facto de ter internet neste hostel, e de estar à espera que o churrasco fique pronto, decidi fazer aqui uma série de mapas para vos mostrar o que de facto já fizemos e o que ainda falta fazer...
A encarnado, os sitios que parámos ou que vamos parar.
A verde, o que fizemos de autocarro.
A preto, os aviões que apanhámos e o que ainda vamos apanhar (Ushuaia - Montevideo)
A azul, o que ainda vamos fazer de autocarro
A amarelo, o sitio onde estou agora, Pucón

Equador
Quito, Guayaquil e Montañita
Peru
Mancora, Trujillo, Lima, Huacachina, Nazca, Cuzco, Machu Pichu, Puno


Bolivia
Copacabana, La Paz, Potosi, Uyuni, Colchani, Laguna Colorada

Chile
San Pedro de Atacama, Calama, Santiago, Viña del Mar, Reñaca e Pucon. Faltam ainda Punta Arenas e Torres del Paine.
Os melhores sitios onde estivemos foram sem dúvida Huacachina, Machu Pichu e Uyuni. A melhor capital foi Santiago enquanto que o melhor sitio de praia até agora foi Reñaca...
Ainda falta chegar à Patagonia e terminar a viagem nas praias do Uruguay (Punta del Est e Punta del Diablo) e do Brasil em Floripa.
Nos ultimos dias estivemos em Viña del Mar, mais precisamente em Reñaca. Para nossa grande surpresa, Reñaca, estava cheio de pessoas da nossa idade. Viemos a descobrir, que nas duas primeiras semanas de Janeiro, todas as pessoas de Mendoza passam férias em Reñaca... Mendoza é uma cidade argentina... E mais não digo!

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

De La Paz a Santiago

Estou vivo e escrevo passados alguns dias de Viña del Mar, perto de Santiago do Chile.
O dia depois da estrada da morte foi aproveitado para visitar a confusa cidade de La Paz. Num dia de chuviscos, saimos do hostel e pusemo-nos a caminhar pela cidade. A cidade é de ultimo mundo. A Bolivia é o país mais pobre da America do Sul, mais pobre que Suriname e que as Guianas. A confusão do transito, de pessoas, de vendedores ambulantes é impressionante. No entanto, não quer isso dizer que não tenha uma grande avenida, mais ou menos bem conservada, e ainda uma praça de primeiro mundo, obviamente, onde vive o Señor Evo Morales.
Depois de um almoço por 4 euros no Hotel Ritz de La Paz, alugamos uma carrinha, por tostões, com chauffer para darmos uma volta pela cidade. Ao fim do dia partimos num autocarro com camas 180º para Potosi. Isto sim é backpacking!

Potosi é a tipica cidade colonial boliviana. Curiosamente, talvez pelas pequenas praças, ruas estreitas, subidas e descidas, e ainda os pequenos quiosques que se viam nas ruas, fez me lembrar muito Portalegre. Fiquei apenas uma manhã em Potosi pois o unico interesse era visitar as minas de Potosi, coisa que a mim nao me atraiu. Segui directo para Uyuni.

Uyuni parece uma vila fantasma. Não sei explicar porquê. A vila está totalmente isolada do resto da Bolivia, a 6 horas de autocarro de Potosi e sempre por uma estrada de terra. A vila parece exisitr apenas e só pelo Salar de Uyuni. A unica "atraccao" extra da vila é um cemiterio de comboios... Mal chegamos a Uyuni dirigimo-nos a agencia na qual tinhamos comprado um tour para ir de jeep desde Uyuni até San Pedro de Atacama. A agencia revelou-se o primeiro problema desta viagem. O problema começou logo mal chegamos a Uyuni e a agencia era a unica que estava fechada ás 4 da tarde. Quando me dirijo de mochila ás costas em busca de um Hostel, pára um carro ao meu lado com uma senhora aos gritos: "SandraTravels!! SandraTravels!!", á qual eu respondo: "Si si somos nosotros!". Depois de entregarmos os vouchers e acertarmos os ultimos promenores ficamos a saber que no dia seguinte ás 10 da manhã teriamos de estar á porta da agencia. Sem problema.

10 da manhã do dia seguinte... Agencia fechada com dois bancos à porta. Os bancos devem estar lá mesmo para quem espera da tal Sandra que apenas nos apareceu ás 11h15. Estivemos horas a discutir com as donas da agencia. Tudo estava mal. Chegam-nos dois dias atrasadas, depois dizem-nos que não podemos atravessar o Salar e que vamos dormir noutro sitio que não era previsto quando todas as agencias iam atravessar o Salar, ainda nos dão um carro que as janelas não abrem e o chauffer diz que só vai ser nosso chauffer aquele dia, e por fim dizem que se queremos o dinheiro de volta temos que ir a La Paz buscá-lo. Bem, não estávamos para perder outro dia em Uyuni a arranjar outra agencia e decidimos ir com aquela agencia.
Qualquer que fosse a agencia não há palavras para o que é o Uyuni. Um enorme deserto de sal sem fim. Tudo branco, um espectaculo. Melhor que isso, estava com bastante água no chão o que permitia reflectir todo o céu e nuvens no chão fazendo com que ficasse um verdadeiro "céu na terra". Não há palavras para descrever o Salar de Uyuni. Final do dia, fomos dormir ao tal sitio alternativo chamado Colchani. Colchani é uma terrinha, com não mais que cem pessoas e onde água potável e luz electrica não existem. Acabamos por jantar com velas num ambiente totalmente pré-historico. Felizmente a dona da casa onde dormimos foi sempre impecável conosco e preparou-nos um jantar e pequeno almoço óptimos. Por fim, deitámo-nos cedo pois ás 7 da manhã tinhamos o novo chauffer com um novo jeep á porta.
7, 8, 9 da manhã... ninguem aparece. Estava decidido, iamos mudar de agencia. No meio do nada, sem telefones, sem internets, e sem luz, só havia uma maneira de resolver este problema, arranjar boleia pa Uyuni e "partir" a SandraTravels ao meio. Foi talvez a única coisa positiva da agencia, obrigou-me a mim, e ao meu amigo Bernardo, a apanhar boleia num jeep com 5 argentinas incriveis... Mais uma vez, as argentinas eram provenientes de Rosário (Deve ser a cidade com as miudas mais giras do mundo). Apesar de tudo, o chauffer das argentinas não nos queria levar pois dizia que não queria problemas com a Sandra. Acabamos por perceber que a Sandra no meio das agencias era tudo uma máfia e pessoas perigosas. Depois de 30 minutos de uma optima boleia, chegamos a agencia. Gritos e mais gritos acabaram por não levar a nada. Entretanto a dona da agencia tinha mandado o irmão ir buscar o resto do grupo a Colchani. Quando voltaram, já estava um novo chauffer com novo jeep. Desta vez o chauffer era diferente e mais bem disposto, mas o carro era igualmente mau. Tão mau, que foram precisos poucos quilometros para nos ter saltado uma roda do jeep...

Depois de um dia inteiro metidos num jeep e a passar por paisagens incriveis, chegamos a uma casa, no meio do deserto e sem mesmo nada a volta, a não ser a candidata a maravilha natural do mundo Laguna Colorada, para passarmos o fim de ano. Não estávamos á espera que o fim de ano fosse tão animado como foi. Acabamos por ser um grupo de para ai trinta pessoas a fazer a festa, e mesmo sem musica conseguimos ter um bom fim de ano. O pior foi sem duvida acordar no dia seguinte ás 4 da manhã pa seguir caminho até Atacama.

O caminho até ao Atacama é sempre por deserto e a passar ao lado de lagoas perdidas. Acabámos por passar um dia onde as vistas únicas acabaram por fazer render qualquer tostão que tinhámos pago á SandraTravels. Chegámos ao Atacama debaixo de mais de trinta graus e cansados dos ultimos dias.

A primeira coisa que fizemos mal chegamos ao Atacama foi tentar encontrar uma boa agencia que nos fizesse os tours todos necessários. Os elevados preços para turistias não nos deixaram ir com uma agencia e então encontrámos um chauffer. Desta vez dava pelo nome de Odon e não era nem muito simpatico nem muito falador mas lá nos fez os serviços pelo Atacama durante três dias e a preços bem mais acessiveis que as agencias. As fotografias explicam o que é um deserto arido e de pedra!


Depois de uma estadia de três dias no Atacama, seguimos de avião para a civilização, Santiago.

Santiago é provavelmente a melhor cidade da América do Sul. Logo no aeroporto percebe-se que chegámos a um país desenvolvido. Tudo funciona bem. Estradas enormes e bem sinalizadas, prédios modernos, pessoas com bom aspecto, ruas e praças limpas, é uma capital europeia. Fiquei muito bem impressionado com Santiago. Adorei mesmo.

Na noite em que chegámos comprámos uma garrafa de pisco ainda no aeroporto, deixámos as malas no Hostel e seguimos directos para o Sala Murano, discoteca que os meus amigos que estudaram em Santiago recomendaram. Não saiamos à noite desde Quito, e por isso exagerámos em alguns aspectos... Inolvidável Sala Murano!

E agora, por fim, estamos a poucos quilometros de Santiago, em Vinã del Mar. Estamos cá a pernoitar algumas noites pois isto está em plenas férias de verão e as praias estão totalmente cheias de gente. As praias estão com tanta gente que hoje o Patricio e o Bernardo foram roubados em plena praia de Reñaca sem que ninguem desse por isso. Telemoveis, carteiras, algum dinheiro e ainda os passaportes desapareceram. Um verdadeiro "cabrão" levou-lhes tudo isto enquanto todos estávamos distraidos com a multidão em nosso redor. Amanhã de manhã estão de partida cedo para a embaixada portuguesa em Santiago...

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Bajando la carretera de la muerte, La Paz, Bolivia

Depois de um Natal muito bem passado no imenso Lago Titicaca, seguimos para a capital da Bolivia, La Paz.

La Paz e uma cidade unica. A capital do pais mais pobre da America do Sul parece uma favela gigante vista de longe, mas de perto ate tem por onde se explorar. A confusao de carros, pessoas, vendedores ambulantes, tendas que vendem desde cadeados a tomadas, misturam-se com os interminaveis cabos que atravessam as ruas de uma ponta a outra e ainda com as casas de tijolos que nao so nao estao pintadas como estao todas por acabar. Ficamos impressionados com esta cidade unica, mas ao mesmo tempo adoramos.

Depois de almoco, um velho informa-me que estamos na epoca do temporal, epoca na qual chove 24h por dia. Partimos entao para um mercado para aproveitar os precos baratos que a Bolivia ja nos habituou. No mercado, a confusao ainda e maior e ainda estamos sempre inundados por um cheiro nauseabundo a Boliviano. Por fim, deitamo-nos cedo porque no dia seguinte era dia de descer a estrada da morte, ou estrada mais perigosa do mundo, a partir das 6 da manha.





A estrada mais perigosa do mundo deixou de ser transitada ha 2 anos porque fizeram uma estrada nova. Era considerada a estrada mais perigosa do mundo devido a ser demasiado estreita e ter dois sentidos. A estrada nao tinha menos de 2,5m de largura mas tambem nao chegava a passar os 4m, o que torna fisicamente impossivel o cruzamento de dois camioes. Felizmente, o bom senso obrigou a que se fizesse uma nova estrada.

Optamos por descer a estrada mais perigosa do mundo de bicicleta. No final do tour, estava prometida uma t-shirt a dizer que tinhamos sobrevivido a tal estrada. A descida foi de 64km e demoramos cerca de 4h30. A primeira hora foi sobre asfalto mas nao se via um palmo a frente. Depois, foi passar para uma estrada de terra e foi sempre a descer desde 4700m ate 1100. A estrada e de facto um perigo para carros, mas para bicicletas com travoes de disco ate se faz bem. Assustor era o facto de a medida que iamos descendo estarmos sempre acompanhados de dezenas e dezenas de cruzes com nomes e datas de pessoas que ja tinham ali perdido a vida. Segundo nos contaram, todos os anos morriam em media 100 pessoas devido aos cruzamentos entre carros e camioes. E por isto que e chamada a "carretera de la muerte", devido a sua enorme taxa de mortalidade.

Felizmente chegamos bem e nem nunca estivemos perto de ir ravina abaixo! O guia disse-nos que fomos um grupo bastante rapido mas sempre seguro. Recomendo vivamente descer esta estrada, mas ao mesmo tempo nao recomendo que vao para la fazer corridas! So nos faltava receber a t-shirt...

Depois de almocarmos em Coroico, terra onde termina a estrada da morte, entramos na carrinha para fazermos 4h de viagem ate La Paz. Achavamos que a aventura ja tinha terminado ate vermos o condutor voltar por um sitio que nos parecia familiar... Voltamos mesmo pela estrada da morte. Mandamos logo todos vir com o condutor e a dizer que aquilo nao estava no programa! Nao havia nada a fazer, iamos mesmo voltar por ali, e estava finalmente encontrada a razao para nao nos terem dado logo as t-shirts. Voltar de carro e assustador. Olhar pela janela, ver 400m de ravina e nao ver um unico centimetro a separar-nos da berma, tudo isso nos fazia pensar no que estavamos a fazer... Brincar com a vida! Para ajudar a festa, vinham carros do outro lado e ainda ultrapassavamos alguns camioes.

Enfim, correu tudo bem e fazer de bicicleta e inesquecivel. De carro, never again. No nosso ultimo dia em La Paz, aproveitamos para ir almocar ao Hotel Ritz La Paz por menos de 5 euros.

Agora, e depois de apanharmos um autocarro totalmente sobrelotado, chegamos a Uyuni onde vamos comecar um tour de 3 dias de jeep desde Uyuni ate San Pedro de Atacama no Chile. O fim de ano vai ser passado em pleno deserto.

Ate para o ano!

quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

Rumo a Machu Picchu

Quando decidimos fazer 5 dias de caminhada até ao Machu Picchu não sabiamos no que nos tinhamos metido.

Saimos as 5 da manhã de autocarro em direcçao a uma pequena aldeia que dava pelo nome de Mollepata. Nessa mesma aldeia esperavam-nos Nestor, Thomaz e Cristobal. Nestor era o nosso guia, tinha 17 anos e nunca tinha ido até Machu Picchu. Thomaz, o nosso magnifico cozinheiro, tinha 40 anos, vários dentes de prata, e um pulmão de 20 anos. Cristobal era uma pessoa que nós contratamos para levar uma mula a mais com as nossas mochilas.

Mal saimos de Mollepata, Nestor começou a ficar para trás e tivemos que aturar o ritmo alucinante de um jovem de 40 anos chamado Thomaz. Esse mesmo, que por ele andava 4 horas seguidas, a subir e descer montanhas, sem parar, ainda nos criticou pela nossa má forma fisica. Quando chegamos ao almoço, sob um frio de morte, perguntei-me a mim mesmo se valeria a pena tamanho esforço para chegar a Machu Picchu. Esta foi, para mim, a pergunta que mais vezes fiz durante os 5 dias de caminhada. A tarde do primeiro dia foi mais tranquila mas mesmo assim mal chegamos ao acampamento mandamo-nos logo todos para dentro das tendas para dormir. O sitio do primeiro acampamento era um descampado rodeado de neve no topo das montanhas. A noite foi muito mal dormida devido ao frio, cansaço e tambem devido ao facto de a meio da noite um cão ter chocado contra a nossa cabana a altissima velocidade. Na manhã seguinte, revoltados com a noite que tinha passado, pusemo-nos a caminhar para aquele que seria sem qualquer duvida o dia mais dificil em termos fisicos das nossas vidas. Foram 9h30 a andar, passando por 4600m de altura, chuvas, lama, subidas interminaveis e descidas com calhaus que nos faziam escorregar a toda a hora, etc... Foi o pior dia da minha vida em termos fisicos. Apesar de ter passado pela cabeça de todos chamar mais mulas para nos levarem, "desistir", ou por e simplesmente acampar onde estivessemos esgotados, tudo isto nao passavam de pensamentos de revolta com o trilho. É que aquilo que era suposto ser um passeio até Machu Picchu, depressa se tornou num desafio enorme. No final do dia, a recompensa de dormirmos num jardim, com uma vista espectacular, de uma pequena familia perdida no meio dos andes.




Desta vez dormimos melhor, mas acordamos com uma chuva que nos acompanhou o dia todo. Tomamos o pequeno-almoço no terraço da tal familia, que estava de saida. Perguntamos a um dos miudos para onde iam àquela hora e com tanta chuva. "Vamos a una fiesta!" - diz-me um miudo com cerca de 7 anos. Descobrimos então que a tal festa a que iam era a festa de inauguraçao de agua potavel na região. A agua potavel encontra-se agora a apenas 1 hora a pé de casa deles.

Seguimos caminho para mais uma manhã de caminhada, desta vez rumo a Santa Teresa. A melhor novidade do dia era que so iamos caminhar durante a manhã. Sentimo-nos como miudos com tarde livre! Depois de uma manhã de caminhada em que pusemos, literalmente, varias vezes a pata na poça, chegamos a Playa e depois apanhamos uma mini-van para Santa Teresa. Em Santa Teresa esperavam-nos umas águas termais enormes e muito bem organizadas e conservadas. Ninguem diria que estavamos no Perú. Por fim, a ultima noite em tendas, desta vez ao lado de um matadouro de vacas.

No quarto dia de caminhada acordamos debaixo de imenso calor. Fizemo-nos a estrada em mais uma manhã de caminhada. Nestor, o nosso "guia", já nao aguentava o nosso ritmo e pedia sempre para pararmos, pedido que não era correspondido. A meio do caminho avista-se uma pequena casa de Machu Picchu. Estavamos cada vez mais perto do objectivo e cada vez mais motivados a continuarmos a andar! Chegamos a Aguas Calientes estafados depois de 4 dias de caminhada, apesar de no 4º dia so termos andado uma manhã outra vez. 70km depois de sairmos de Mollepata, estavamos quase a cumprir o nosso objectivo...

Foi mesmo à chegada a Agua Calientes que se deu algo que sabiamos que poderia acontecer... Apareceram-nos as dinamarquesas a frente. Trombudas, mal dispostas, e interesseiras como sempre, dizem-nos que estão de saida para Nazca (boas noticias). And how was Machu Picchu?! Humm... it's ok... Epá não percebem que acabaram de ver uma das 7 maravilhas do mundo!!

A recompensa nesse dia foi dormirmos num quarto de hostel com casa de banho só para nós...

Chegou o dia-D! 4 da manhã estavamos em pé para começar a subir até Machu Picchu. A razão de se ter ido tão cedo foi para a arranjar bilhetes para WaynaPicchu, montanha que fica ao lado de Machu Picchu e à qual so podem subir 400 pessoas por dia. O ultimo dia revelou-se durissimo. Tinhamos que subir 400m em altura, tudo por escadas. Chegamos a Machu Picchu em 35 minutos quando deviamos ter demorado 1h - 1h30.

Machu Pichu é mesmo uma das 7 maravilhas do mundo. É incrivel a situação, a altura, a calma de toda a cidade. Apesar de tudo, os Incas eram um povo bastante atrasado. Viveram entre 1400 e 1500 e não sabiam nem ler nem escrever. Como não há registos escritos dos Incas, tudo o que envolve esta cultura é um bocado mistério. Cada guia diz a sua coisa. Tanto viviam 3000 pessoas em Machu Picchu, como viviam 500. A meio da manhã subimos a WaynaPicchu donde se tem uma vista incrivel para a Cidade Perdida. Ficamos o dia todo em Machu Picchu. Ninguem se cansa de olhar para aquela cidade, aquelas montanhas! É mesmo inacreditavel.

A nossa estadia no Perú acaba com uma visita de um dia inteiro ao Valle Sagrado. Mais um dia de várias caminhadas a ver mais ruinas Incas. Mas, depois de ter visto Machu Picchu, aquelas ruinas já não me impressionavam tanto.

O Natal foi passado num Hotel á séria no Lago Titicaca na Bolivia! Estou agora de saida para La Paz, capital da Bolivia.

Bom Natal!

Cuzco



Meter fotografias não é facil e demora muito tempo, coisa que não abunda numa viagem destas. Quando tiver mais tempo livre, tento meter mais fotografias da caminhada, de Machu Pichu e tambem do nosso Natal no Titicaca!

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Trujillo - Lima - Huacachina e Nazca

Os tempos mortos numa viagem como esta sao poucos ou nenhuns. As vindas aos cybercafés sao essencialmente para ler e enviar emails, principalmente para informar a minha familia do meu paradeiro! Estou neste momento no maior ou num dos maiores highlights da viagem, Cuzco - entenda-se Machu Pichu.
A viagem tem sido uma loucura. Nao houve um dia que fosse mau, um dia que me tivesse divertido menos, um dia em que nao tivesse acontecido alguma peripecia.

Saimos de Mancora e fomos passar um dia a Trujillo para comecar a ver "pedras". As tais dinamarquesas que falava que tinham vindo conosco para Mancora reveleram-se umas interesseiras e vieram conosco até Trujillo onde confessaram que adoravam estar conosco por nós tratarmos de tudo e falarmos espanhol. Uma arrogancia que nao nos agradou e para que elas parassem de vir conosco, tinhamos que as despistar. Saimos do autocarro em Trujillo e apareceu-nos um homem com uma camisa tropical e oculos escuros a perguntar se queriamos ir para Huanchaco, um sitio a 12km de Trujillo que é preferido pelos backpackers. Quem falou com o Lucho foi o Costa e a primeira vista nao parecia inspirar grande confianca.

Seguimos com o Lucho a caminho de Huanchaco e as dinamarquesas noutro taxi atrás de nós. "Lucho, tienes que perder el carro que viene atrás de nosotros!!". Era a nossa estrategia, despista-las a caminho de Huanchaco e depois escolher outro hostel diferente do delas. O Lucho nao fez mais nada e a meio duma estrada manda uma guinada para uma bomba de gasolina. Dinamarquesas adeus!

Acabamos por chegar a conclusao que nao queriamos dormir em Huanchaco e que queriamos era visitar aquilo tudo num dia e depois sair a noite para Lima e dormir no autocarro, coisa que fazemos varias vezes para poupar em Hosteles. Negociamos com o Lucho um preco por hora e ficamos com ele o dia todo. Fomos visitar ruinas, tomar o pequeno almoco ao meio do mercado de Trujillo, almocar a um restaurante que ele conhecia e que era bem bom, e por fim o highlight do dia, a luta de galos!

Assistir a uma luta de galos é uma coisa unica. É legal no Peru estas lutas e existem em alguns bairros umas pequenas arenas onde centenas de pessoas assistem a 2 galos "a porrada". No entanto, o jogo é leal e tem várias regras:

- As lutas sao de 1 contra 1. O dono de cada galo da 100 soles ao arbitro ao principio e quem ganhar no fim fica com os 100 soles do outro.
- Se um galo perder antes do primeiro minuto, o dono do galo vencedor é candidato a um premio de 2000 soles.
- Multiplas apostas fazem-se entre as pessoas da plateia. Lucho chegou mesmo a conseguir um saldo positivo de 3 soles (1 dolar).
- As lutas duram 8 minutos.
- Cada galo tem 1 espigao na parte de tras de cada pata e quando espeta um espigao no outro, a luta é interrompida para que os galos se "desunam"
- Por fim, se um galo foge do outro antes dos 3 minutos, é considerado empate e ninguem ganha.

Isto tudo num ambiente muito amigavel. O unico de nós que apostou foi o Fernando que apostou no unico galo que morreu das mais de 15 lutas que vimos. Os galos que morrem, vao directos para a grelha. Isto tudo é macabro e uma coisa de 3o mundo mas vale a pena ver.

O dia em Trujillo valeu mesmo pelo que nos rimos com o Lucho. As suas perigosas conducoes, as vezes em que raspava com o carro em baixo e ria-se e ainda o seu kit anti-carjacking. Contou-nos mesmo que uma vez roubaram-lhe o carro e devido ao seu kit, conseguiu recupera-lo. Obvio que quando nos fez a demonstracao do aparelho... nao funcionou.

Apanhamos a noite um autocarro para Lima onde apenas vimos o centro da cidade de manha e seguimos directos para Huacachina, um bocado tiro no escuro. Huacachina é um oasis no meio do deserto. Nao fazia ideia que havia um deserto tao interminavel de areia e dunas no sul do Peru. Foram 2 noites e 2 dias bem passados a andar de buggy pelo deserto, com outro Lucho maluco a guiar pelas dunas, e a fazer sandboarding o dia todo. Sandboarding e uma modalidade que esta mal aproveitada e que tem muito para se desenvolver pois e uma verdadeira loucura.

É impressionante a imensidao de um deserto de areia. Recomendo a toda a gente que venha viajar ao Peru que passe em Huacachina 2 dias e que nao perca o tour de buggy, apesar do Lonely Planet dizer que é "completely unsafe".
Por fim, ontem de manha saimos para Nazca onde tinhamos reservado o voo de 35 minutos de aviao por cima das figuras. E impressionante as figuras. Um fenomeno incrivel. Ha linhas e figuras que estao lá ha mais de 2300 anos. O voo de aviao e imperdivel para quem quer ver e perceber como e que sao as linhas. Uma avioneta que manda bastantes solavancos mas que se faz bem. Tenho a certeza que muitos elementos mais velhos da minha familia nunca fariam aquele voo devido aos enjoos... Eu proprio nao estava seguro de mim mesmo quanto ao meu futuro! As minhas figuras preferidas foram sem duvida o Macaco, o Astraunauta e ainda o enorme Alcatraz. O fenomeno das linhas e impressionante e a sua preservacao so e possivel devido ao facto de em Nazca apenas chover 30 minutos por ano.

Agora encontro-me em Cuzco a mais de 3 mil metros de altitude. Amanha vamos comecar um trilho alternativo ao trilho Inca. Serao 4 noites de acampamento e 5 dias a andar até chegar a Machu Pichu dia 22. O trilho que vamos fazer chama-se Salkantay e nao e o trilho mais conhecido dos Incas. O principal trilho precisa de uma reserva com meses de antecedencia e tambem de uma carteira bem recheada.

PS: Quando tiver mais tempo outra vez, volto a meter mais fotografias. As que estao sao do google!

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

10 dias de viagem em fotografias

ECUADOR

Quito


Montañita












Guayaquil



PERÚ

Mancora





Trujillo

Huanchaco

Luta de galos - Trujillo


Lima


E neste momento estamos ainda mais a sul no Peru, em Huacachina. Depois meto fotografias, mas se quiserem ter uma ideia, podem ir a este link: http://images.google.com/images?hl=pt-PT&q=huacachina&lr=&um=1&ie=UTF-8&sa=N&tab=wi. Decidimos vir para aqui um bocado do nada e revelou-se um "highlight".


Em breve, relatarei o que foi o nosso incrivel dia em Trujillo na companhia de Lucho e ainda este oasis no sul do Perú.



Para saberem mais, vejam tambem em www.losbuenosenaires.blogspot.com que sao os relatos do Francisco Patricio e do Federico Nigra!